quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais um texto sobre o amor

É fato que todas as garotas do mundo querem alguém. E até os garotos querem alguém. Quem não quer uma pessoa para dormir abraçado, uma pessoa para ficar parado durante minutos te encarando e sorrindo? Quem não quer uma pessoa para discutir e depois fazer as pazes com beijos e chocolates? Que garota não quer aquele garoto dos livros? Aquele que é perfeito em todas as páginas e consegue ser encantador até mesmo nas entrelinhas. E mesmo que muitas pessoas digam que não ligam para o amor, porque "você pode chegar lá sozinho" é sua frase do caderno da cabeceira, mesmo que muitas falem que não querem amar, porque machuca, elas querem. E como querem. Todo romance é ruim, todas as coisas são ruins, e é exatamente por isso que as perseguimos. O que, no mundo todo, consegue ser bom sem ser ruim? Todas as coisas tem seu lado claro e escuro, as rosas são cheirosas, mas os espinhos machucam, e mesmo assim ficamos atraídos pelo perfume e aparência. O chocolate, então, nem se fala. Ele engorda, mas todos continuamos atrás dele, desesperadamente. Por que deveria ser diferente com o amor? Onde está a obsessão e a magia que fazia tudo funcionar antigamente? O amor une tudo e todos. E ter medo dele, é normal. Se apaixonar, mais normal ainda. E aproveitar o romance, é a melhor coisa da vida. Portanto, acho que no lugar daquela frase, na sua cabeceira deve ficar escrito simplesmente "eu quero o seu romance ruim".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Caramela

- Oi, Lincon, vim buscar a chinchila manca que você falou que ia me dar.
- Entra aí, cara! - Lincon recepcionou Kleber. - Tô indo lá pegar ela pra você.
Kleber sempre quis ter um bichinho de estimação. A mãe dele achava que cães e gatos davam muito trabalho, mas uma chinchila (e manca, ainda por cima)? Que trabalho um bicho tão pequeno poderia lhe causar?
Lincon voltou com apetrechos da cabeça aos pés. Sim, apetrechos para a chinchila.
- Pronto, tá tudo aí; ração, pó de banho, alfafa, suplemento, ventilador e a dita cuja... - ele arfou de cansaço.
Kleber olhou estupefato para a quantidade absurda de objetos.
- Peraí, o que é tudo isso? Eu vou levar uma chinchila e não um bebê!
Lincon foi obrigado a rir.
Imediatamente Kleber completou logo em seguida - Hã... Lincon? Acho que eu mudei de ideia...
- O QUÊ?! Você PROMETEU, cara, prometeu que ia levar esse bicho pra você cuidar.
Passaram-se 8 segundos e...
- Tá bom, vai... - Kleber suspirou, desanimado - Eu fico com esse bicho esquisito, agora me fala como é o dia a dia dele...
Isso ia ser divertido.

- Bom, aqui está: no período da manhã ou no mesmo horário da ração, pode ser fornecido duas a três vezes por semana, um suplemento alimentar, aí você tem que... - ele não conseguiu terminar. Kleber interrompeu ele, antes mesmo dele terminar citar quaisquer outras as atividades que a chinchila necessitava.
- PODE PARAR TUDO! Esse bicho é feito de quê? Papel higiênico?
E mais uma vez, Lincon riu.
- Peraí cara, vou atender o telefone.
Kleber ficou olhando pra chinchila, mas ele já estava desistindo da ideia de levá-la para casa; era mais fácil ele adotar um hipopótamo do que ter que ficar a chinchila manca que era cheia de nove horas.
É aí que ele se engana.
Quando Lincon voltou, Kleber estava amassando, beijando, agarrando e enchendo de mimos a chinchila. Ele havia criado apelidos desde pokémon do papai, à nomes como Caramela.
- Ah, vejo que vocês dois se deram bem.
- Pois é cara, até apelidei ela de Caramela, ela olha feliz pra mim, quando chamo ela assim.
- Que beleza, agora é só alegria então - Lincon deu uma risada suave. - Quer ficar pra jantar?
Quem gostou da ideia foi a Caramela.
Por pouco tempo.

Antes de o Kleber ir embora, ele precisava colocar a Caramela dentro da gaiolinha, junto dos zilhões de objetos que ela precisava, e aí sim, ir pra casa. Mas ela não conseguiu entrar na gaiolinha. A barriga dela estava muito inchada e ela estava com uma expressão muito cansada. Lincon achou melhor deixar a Caramela com ele, e no outro dia Kleber iria buscá-la, afinal, ela estava com a expressão cansada, ela só precisava dormir, não é mesmo? Não é mesmo?

6h00 da manhã. Uma casa. Uma chinchila. Uma espera. Uma surpresa.
- Lincon, abre a porta, já cheguei. - Kleber já chegou gritando de tão ansioso que estava pra levar Caramela pra casa. Ele havia chegado a sonhar com a chinchila. Ele havia adquirido, em apenas um dia, um carinho especial pela bichinha.
- E aí, Kleber. - a expressão de Lincon não era animadora.
- E aí, cadê a Caramela, ela descansou bem e... - a gaiola estava vazia.
- Lincon! Porra, tu deixou a Caramela fugir? Cadê ela?
- Kleber, calma...
- Então fala bicho, tais me deixando irritado com essa demora! Cadê ela?
- Acho que ela já estava muito velhinha e...
- E.. o quê?
- ... e ela não aguentou, ela não acordou mais hoje...
Eu sei. Às vezes me arrasa o jeito como se parte um coração.


Kleber e Lincon estavam recostados no parapeito da janela do quarto do Lincon. A vizinha deles, Ana, passou e, sem querer, começou a ouvir a conversa (triste) deles. E ela se intrometeu.
- Vocês sabiam que existe um céu pra cada tipo de animalzinho?
Sem saber o que dizer, eles apenas afirmaram com a cabeça.
- Uma vez eu tinha um peixinho, que também morreu, o meu pai disse que ele tinha ido pro céu dos peixinhos. Legal, né?
- É - eles disseram, em uníssono.
- Eu acho que ela está feliz, agora. Acho que ela está se divertindo muito, lá em cima.
- É - novamente eles repetiram, no mesmo tempo.
- Pois é, e vocês podem ter certeza que, com o cair da noite, vem a certeza de que a pequena Caramela está num lugar melhor, ela não está triste, vocês sabem disso. E sabem por quê? Porque em seus sonhos, ela brinca entre as estrelas.