domingo, 14 de novembro de 2010

Com os relacionamentos anteriores aprendi que

As oportunidades não abundam, e raramente as encontramos uma segunda vez. Assim como tem sentimento que é intenso demais, inquietante demais, e grande demais. Esse não fica guardado no peito. Ele explode pra todos os lados. No entanto, como em toda explosão, alguém acaba se machucando.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amadurecimento

Hoje me sinto completa, forte e contente com o que sou. Hoje não necessito que você me diga que tudo está bem. Hoje sei quem sou. Perdida em minhas lembranças finalmente me achei. E cada despertar é uma nova oportunidade para mudar o rumo, desfrutar a vida. E cada anoitecer é um encontro entre mistério e realidade pra que você não se esqueça de sonhar. Hoje quero agradecer pelo simples fato de estar viva e ser parte da magia que nos rodeia nesta estranha realidade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Curta e grossa

Meu coração não é playground.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dias e dias

Qualquer coisa que você faça será insignificante, mas é muito importante que você o faça. Você pode não saber qual é o significado da sua vida e não precisa. Precisa apenas saber que ela significa alguma coisa. Toda vida tem um significado mesmo que dure 100 anos ou 100 segundos. Toda vida tem. E cada morte muda o mundo do seu próprio jeito. Ghandi sabia disso. Ele sabia que sua vida significava alguma coisa para alguém, em algum lugar, de alguma forma. E ele sabia com muita certeza que ele jamais saberia o significado dela. Ele entendeu que viver a vida, deve ser mais uma grande preocupação, do que um entendimento. E eu também. Você pode não saber. Então, não leve isto por certo. Não leve isso muito a sério. Não adie o que você quer. Não deixe que nada o impeça, apenas tenha certeza, de que as pessoas com que você se preocupa saibam. E tenham certeza do que você realmente sente, porque só assim... Tudo pode acabar.

Única maneira

Siga as instruções de uma vida sem saudade, assim é melhor. Se o chão se abrir e você sentir que já não tem mais forças, confie e acredite sempre um pouco mais. Se existe o caos e a dor, também existe a fé e a esperança em algo maior, algo melhor. Não é felicidade, amor ou carinho e sim viver e aceitar que pra cada dia ou pensamento que ferir seu coração, vai existir a recompensa por tudo o que você passou, e pra cada sonho que perdeu, encontrará um novo sonho inteiro ao seu dispor.

domingo, 26 de setembro de 2010

Impaciência

- Você esperaria a vida toda por um amor?

- Eu não espero nem três minutos por um miojo.

domingo, 19 de setembro de 2010

Doce ilusão

Imaginar como você está, que roupa está vestindo, que perfume está usando. Lembrar das palavras que você disse, das coisas que você fez, do jeito de como me abraçou. Lembrar de você, pensar em você, sonhar com você. Tentar negar, dizer que não penso em você ou que não quero ver você de novo, quando você não sai da minha cabeça e conto os dias pra você voltar. Tentar não me iludir, tentar não me envolver demais, tentar não sofrer. Tentar não esperar tanto, tentar não criar muitas expectativas, tentar por os pés no chão. Tentar acreditar nas minhas próprias mentiras de que isso vai passar, que isso não é nada, quando, no fundo, eu sei que não vai passar e nem mudar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Oficial

- Que dia é oficialmente o dia universal do "eu te amo"?

- É o dia em que você sentir 'oficialmente' que ama a pessoa universalmente. E é o mesmo dia que você gostaria de ouvir dedicado à você. Ou seja, todos os dias.

Reciprocidade

- Não estou com vontade de conversar.

- É, nem eu.

- Estou com medo.

- Eu sei. Eu também.

domingo, 12 de setembro de 2010

Inspirações e aspirações

Natação e dança sempre foram mais, muito mais do que gastar tempo com isso, muito mais do que hobby's, muito mais do que simplesmente só nadar e dançar. Não sou como essas pessoas que fazem esportes só para dizerem que fazem algo, só por fazerem, sem vontade alguma.
Não é.

Pra mim, tem mais a ver com o fato de que o mundo é louco e barulhento quase o tempo todo, praticamente e, quando eu estou lá (dançando ou nadando), ele deixa de ser.

Nostalgia

- De que cor é a saudade?

- É da cor da pele de quem nos faz falta.

Mentiras serão sempre mentiras

She believed.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Freedom.

That feeling where it seems we are on the top of the world and nothing can bring us down.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fortalecimento

Aprendi da maneira mais difícil, que às vezes nos enganamos em relação às pessoas e que somos enganadas também. Que existem pessoas invejosas e também pessoas falsas, mas que não é por isso que não podemos confiar nos outros, porque nem todos são iguais e que isso nos fortalece mais a cada dia, porque o que aprendemos por experiência própria, vale mais do que o que nos ensinam.
E que assim amadurecemos e nos tornamos pessoas melhores.

sábado, 28 de agosto de 2010

Aceitação

Eu acredito que nada acontece por acaso. As pessoas mudam para que você possa deixá-las para lá. As coisas dão mal para você aprender a apreciá-las quando estão boas. E às vezes, coisas boas se separam para que coisas melhores ainda se juntem.

Exagero

- Como você faz isso?

- Isso o quê?

- Você sorrí e o mundo inteiro se ilumina!

domingo, 22 de agosto de 2010

I can

Em algum lugar sobre o arco-íris, lá em cima, há uma terra que eu ouvi uma vez numa canção de ninar. Em algum lugar sobre o arco-íris, os céus são azuis e os sonhos que você ousa sonhar realmente são verdadeiros. Algum dia eu vou desejar por uma estrela, e irei acordar onde as nuvens estão bem atrás de mim. Onde problemas derretem como balas de limão, bem acima dos topos das chaminés, que é aonde você me encontrará. Em algum lugar sobre o arco-íris, pássaros azuis voam. Pássaros voam além do arco-íris. Por quê, então, porque eu não posso?
Se felizes passarinhos azuis voam além do arco-íris, porque, porque eu também não posso?

sábado, 21 de agosto de 2010

Sem palavras

- Por quê você fez isto comigo?

- Me perdoe. Você merece alguém melhor que eu.

- Não.. cale a boca! Isso não é justificativa! Não... não...

- Nem sempre se consegue o que deseja.

- Isso, vamos lá! Pise mais, machuque mais, destroçe-me mais!

- Estou tentando te ajudar.

- Guarde suas ajudas pra sí mesmo.


Silêncio. Os minutos estavam sendo cruéis.


- Eu te amo tanto. Tanto que me consome. - eu disse, e levantei a cabeça para olhá-lo.
Minha voz era quase inaudível. Mas os olhos gritavam mais do que nunca.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Somente eu

Eu nunca digo que vou mudar. Eu nunca mudei, e não foi porque eu não quis. É simplesmente porque essa sou eu, e qualquer esforço em não me ser, seria, por si só, uma traição.
A verdade é que sou intensa demais e não há quem dê jeito nisso. Sofro dores que não são minhas e as minhas próprias dores nunca cessam. Vibro com alegrias que não me pertecem. Tento transmitir felicidade pras pessoas mesmo quando por dentro estou sangrando. O bom de tudo é que, toda noite antes de dormir, eu sempre sorrio.

Mesmo quando estou triste.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Através do espelho

Nós enxergamos tudo num espelho, obscuramente. Às vezes conseguimos espiar através do espelho e ter uma visão de como são as coisas do outro lado. Se conseguíssemos polir mais esse espelho, veríamos muito mais coisas.
Mas, não enxergaríamos mais a nós mesmos.

Inesperado

- Mãe, você sabe que dia é hoje? – Otávio perguntou para a mãe, já sabendo sua resposta. - É sexta, finalmente. - Sim, mas? – ao que tudo indicava, sua mãe ou não queria falar sobre aquele dia para não magoar o filho, ou também porque talvez podia ter esquecido daquela data. - Mas o quê, meu filho? É só mais um dia qualquer. Tirando o fato de que hoje começa o seu Brasileiro de Inverno, não há nada de mais!
Otávio deu meia volta, pegou a sua chave e foi para sua casa sem se despedir da mãe. “Hoje é dia 20, sexta-feira. Fico feliz que ela tenha se lembrado da minha competição, mas será que ela lembrou somente disto?” ele voltava para casa, perdido em seus pensamentos. Quando chegou em casa, foi direto para seu quarto terminar de arrumar sua mala. Ele ainda tinha três horas antes de se encontrar com seu técnico e seu amigos da natação, para todos irem viajar. Ao terminar de se aprontar, decidiu passar na casa do técnico; Otávio apesar de morar sozinho e adorar isso, às vezes se sentia muito solitário. E a dor, agora parecia nunca cessar, depois que Luana havia colocado um ponto final na história deles. Respirou fundo, pegou sua mala e algumas barras de cereais para comer no caminho. Saiu de casa às pressas, mesmo não estando atrasado. Otávio chegou no ônibus, com o técnico e os amigos, já avisando para todos que sentaria sozinho e não queria ninguém ao seu lado para lhe incomodar. Mas Ana não o escutou e, sentou-se ao seu lado. – Ana, eu adoro você, mas saia daqui, quero ficar sozinho. – ele resmungou entre os dentes. – Ota, hoje é o Brasileiro de Inverno! Você treinou tanto por ele! Por quê esse mau humor todo? - Hoje é sexta-feira. – ele disse a palavra como se fosse a coisa mais nojenta do mundo. – Ai, meu Deus. É hoje, né? Dia vinte... – ela se lembrou a tempo. – Pois é, mas tudo bem Ana... Desculpa pela estupidez... pode sentar aqui, foi mal... – Não Ota, não precisa se desculpar, eu entendo esse teu temperamento. Vem cá, não fica assim não. – e dizendo essas palavras ela o abraçou.
Minutos antes de sua prova, vários de seus amigos o incentivavam, falando coisas como “Manda ver, Ota!”, “Vê se explode, né rapaz!”, “Encarna o Phelps, hein!”. Mas, apesar de ter treinado tanto, ele não estava com a cabeça na prova, coisa que, como bom veterano, ele sabia que era errado; ele devia estar concentrado na competição, na sua prova. Mas ele estava com a cabeça em alguém. Em uma data. Dia vinte de Janeiro. Há um ano atrás, ele estava com ela. E mesmo ela tendo terminado com ele há dois meses atrás (tempo que ele achava que passaria rápido e superaria logo) ele ainda pensava nela. Ele ainda amava ela. E há um ano atrás, que foi o início deles, mesmo depois de tanto tempo, ele ainda sentia a presença dela. “Foi nesse mesmo clube em que nós nos conhecemos, há um ano atrás, quando ela ainda era atleta. Foi inevitável não me apaixonar. Ela nadava, era maravilhosa, corria atrás dos seus sonhos... pena que desistiu. Mas nunca vou culpar ela. Com aquelas ‘amigas’ delas, sempre colocando ela pra baixo e nunca a incentivando... eu também não aguentaria.” Pensava Otávio, relembrando pedaços de conversas, desabafos que Luana fazia para ele quando estava arrasada. – Ota, vamos lá você consegue! Boa sorte na sua prova! Quero ver você lá no pódio, viu? – gritou Ana. Ele levou um susto, seu fluxo de pensamentos havia sido quebrado. – Ah, obrigada Ana. Só você pra me animar nesse dia, nessa situação. – ele deu um meio sorriso. – Ana... – disse, hesitante. – Sim Ota, diga-me. – ela disse, atenciosa. – Eu ainda... Eu sinto tanto a falta dela... Eu ainda... – ele não conseguia terminar a frase. – Eu sei Ota, eu sei. Olha lá, ta quase na hora da sua prova. – e por fim, ela o abraçou. Era a hora dele.
Otávio conseguiu abaixar o tempo e pegar uma medalha de ouro. Ele se sentia glorioso e feliz, o técnico não parava de comemorar pela vitória de seu atleta, mas Otávio ao mesmo tempo, não parava de pensar em Luana, imaginando que se ela ainda nadasse, ela estaria ali, comemorando com ele. Mas era só um desejo seu, era impossível aquilo acontecer, afinal Luana já havia parado de nadar fazia muito tempo. E de repente, no fundo, ele conseguiu ouvir Ana gritando “Ota, não falei que eu ia te ver no pódio, não falei?” e ao lado dela havia alguém. Otávio tentou identificar, mas não conseguia; Ana e a outra pessoa estavam muito longes. Ele esperou. Quando identificou quem era a outra pessoa ao lado de Ana só conseguia pensar que aquilo era impossível, que era algum problema na cabeça dele, mas que não podia ser verdade. Sim. Era Luana. Ela se aproximou dele, lhe deu um abraço e disse – Parabéns, Otávio. Eu já sabia que você estaria aqui, e bem com essa colocação. Primeiro lugar. É isso que você merece. Esforço e dedicação são seus sobrenomes. – ela se afastou um pouco dele e percebeu uma lágrima nascendo no olho de Otávio. – Me perdoe Ota, eu... Eu... – e foi a vez dela começar a chorar. Otávio enxugou sua lágrima e disse – Sim. Eu também. Ainda te amo. – Meu Deus, você nunca diz essa frase. Parece até que é mentira. – Você tem dúvidas, sua boba? É óbvio que eu ainda te amo. Sempre te amei.





Um último pensamento da autora; De vez em quando, nossas expectativas não se cumprem, nossos desejos não se realizam e ficamos frustrados pelo esperado não ter acontecido. Mas, às vezes, devemos agradecer pelo esperado não ter ocorrido. Porque o esperado é que nos mantém firmes, móveis... O esperado é apenas o começo. O inesperado é o que muda as nossas vidas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Tamborilar de minutos

22:57
nada.

22:59
nada.

23:01
ansiedade.

23:03
nada.

23:06
suspiro.

23:30
nada.

23:48
nada.

00:20
foda-se.

Espera (in)cansável

- Falou com ele? - minha mãe perguntou com urgência.

- Não. Não falei. - respondi, firmemente.

- E por quê não? Não é hoje o tal dia?

- Sim... é...

- Espera, ele vai te ligar. - ela tentou me animar, com essa falsa ilusão.

- Não mãe, ele não vai.


Ela sabia que eu não iria me afogar em uma ilusão criada pra levantar o meu astral.
Suspirei, encarei o telefone e fui para o meu quarto.




Já era hora de eu aprender a ver a diferença.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Nothing else in the world matters

- What do you want to be in five years?

- Happy.

domingo, 4 de julho de 2010

Chamada (quase) perdida

- Alô?
- Bom dia, Henrique, posso falar com o Kiko?
- Olha, ele ainda deve estar dormindo, ele tá um pouco doente... quem tá falando?
- A Ana! - percebi que nem minha voz ele reconhecia mais.
- Ana...?
- A Ana, ué! Ana Sanson! - exclamei.
- Ana?... Meu Deus... Ana!! - ele começou a gritar no telefone.
- Pois é - dei uma risada - Sumí, né...
- Ana... fazem 2 anos.
- Eu sei - o que ele havia dito me fez ficar com vontade de chorar.
- Vamos fazer assim; me deixa teu telefone, que mais tarde ele te liga, pode ser?
- Claro, então era isso mesmo, obrigada Henri...
- Ana? - ele me interrompeu.
- Sim? Pode falar, estou ouvindo.
- Todo mundo sente sua falta... Mesmo em dois 2 anos a gente ainda sente sua falta.
- Eu também. Todos os dias.


E assim que eu desliguei o telefone, corrí para o meu quarto, peguei aquela caixa e fiquei revivendo tudo aquilo. Peguei uma das fotos com a equipe inteira, olhei fixamente para todos aqueles rostos e a nostalgia me pegou desprevenida. Tentei não chorar; foi inútil.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lentidão

21:32
"Calma, vai dar tudo certo."

22:04
Percebo que tudo era só uma ilusão boba.

22:10
Observo os minutos se arrastando no relógio.

22:17
Redisco o número para alimentar minha esperança.

22:22
Cruzo os dedos e redisco mais uma vez.

22:36
A maquiagem fica borrada. Culpa das lágrimas.

22:41
"Eu acho que..."

22:42
Tento me asfixiar com o travesseiro.

22:53
Redisco furiosamento o número pela última vez.

22:58
Minha esperança morre.

23:09
Olho pela última vez no relógio, e desisto de tudo. Até de mim.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Esquecer e perdoar

É isso que dizem por aí. Um bom conselho, mas não muito prático. Quando alguém nos machuca, queremos machucá-los de volta. Quando alguém erra conosco, queremos estar certos. Sem perdão, antigos placares nunca empatam, velhas feridas nunca fecham. E o máximo que podemos esperar é que um dia tenhamos a sorte de esquecer.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Incompreensão

22h00
- Ele vai se lembrar de mim, vai vir falar comigo, vai vir falar comigo...

22h30
- É, acho que em meia hora ele ainda não se deu conta da minha presença.

23h00
Eu acabo desistindo.

23h10
Disco o número que no momento, é a única pessoa que pode me salvar.

23h12
- Ana, tudo bem?

Silêncio.

23h13
- Ana?

23h14
- Na verdade...
Não consegui aguentar. Chorei infinitivamente.

23h30
Eu deito na cama e sinto as lágrimas secarem.

23h40
A angústia bate na minha porta. E eu deixo ela entrar.

23h50
O silêncio me enlouquece.
A dor nunca mais irá cessar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sofrimento silencioso

- Até semana que vem pessoal, bom final de semana - e com essa última sentença, eu me dirigi para fora do colégio. Estava chovendo, e naquele momento eu percebi em como o tempo era como um espelho pra mim; refletia exatamente como eu me sentia, como eu estava.
Quando coloquei o pé na calçada começou a cair a chuva. o meu iPod pelo menos, estava protegido, diferente de mim, que só tinha o boletim na mão e nada mais pra tentar me proteger da chuva. Acho que foi a parte mais feliz do dia. Porque toda a angústia e ressentimento guardados que eu tinha eu coloquei pra fora, e chorei com uma intensidade inimaginável. E não me preocupei, afinal, a chuva era muito forte e o meu rosto, o meu corpo inteiro estava ensopado. A menos que alguém conseguisse enxergar os meus olhos vermelhos, ninguém iria conseguir perceber que na rua havia uma garota botando tudo pra fora, em plena luz do dia, ao olhar de todos. Não me importei.
As lágrimas saíam de maneira devastadora de dentro de mim. Assim como a chuva caía desesperadamente do céu.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais um texto sobre o amor

É fato que todas as garotas do mundo querem alguém. E até os garotos querem alguém. Quem não quer uma pessoa para dormir abraçado, uma pessoa para ficar parado durante minutos te encarando e sorrindo? Quem não quer uma pessoa para discutir e depois fazer as pazes com beijos e chocolates? Que garota não quer aquele garoto dos livros? Aquele que é perfeito em todas as páginas e consegue ser encantador até mesmo nas entrelinhas. E mesmo que muitas pessoas digam que não ligam para o amor, porque "você pode chegar lá sozinho" é sua frase do caderno da cabeceira, mesmo que muitas falem que não querem amar, porque machuca, elas querem. E como querem. Todo romance é ruim, todas as coisas são ruins, e é exatamente por isso que as perseguimos. O que, no mundo todo, consegue ser bom sem ser ruim? Todas as coisas tem seu lado claro e escuro, as rosas são cheirosas, mas os espinhos machucam, e mesmo assim ficamos atraídos pelo perfume e aparência. O chocolate, então, nem se fala. Ele engorda, mas todos continuamos atrás dele, desesperadamente. Por que deveria ser diferente com o amor? Onde está a obsessão e a magia que fazia tudo funcionar antigamente? O amor une tudo e todos. E ter medo dele, é normal. Se apaixonar, mais normal ainda. E aproveitar o romance, é a melhor coisa da vida. Portanto, acho que no lugar daquela frase, na sua cabeceira deve ficar escrito simplesmente "eu quero o seu romance ruim".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Caramela

- Oi, Lincon, vim buscar a chinchila manca que você falou que ia me dar.
- Entra aí, cara! - Lincon recepcionou Kleber. - Tô indo lá pegar ela pra você.
Kleber sempre quis ter um bichinho de estimação. A mãe dele achava que cães e gatos davam muito trabalho, mas uma chinchila (e manca, ainda por cima)? Que trabalho um bicho tão pequeno poderia lhe causar?
Lincon voltou com apetrechos da cabeça aos pés. Sim, apetrechos para a chinchila.
- Pronto, tá tudo aí; ração, pó de banho, alfafa, suplemento, ventilador e a dita cuja... - ele arfou de cansaço.
Kleber olhou estupefato para a quantidade absurda de objetos.
- Peraí, o que é tudo isso? Eu vou levar uma chinchila e não um bebê!
Lincon foi obrigado a rir.
Imediatamente Kleber completou logo em seguida - Hã... Lincon? Acho que eu mudei de ideia...
- O QUÊ?! Você PROMETEU, cara, prometeu que ia levar esse bicho pra você cuidar.
Passaram-se 8 segundos e...
- Tá bom, vai... - Kleber suspirou, desanimado - Eu fico com esse bicho esquisito, agora me fala como é o dia a dia dele...
Isso ia ser divertido.

- Bom, aqui está: no período da manhã ou no mesmo horário da ração, pode ser fornecido duas a três vezes por semana, um suplemento alimentar, aí você tem que... - ele não conseguiu terminar. Kleber interrompeu ele, antes mesmo dele terminar citar quaisquer outras as atividades que a chinchila necessitava.
- PODE PARAR TUDO! Esse bicho é feito de quê? Papel higiênico?
E mais uma vez, Lincon riu.
- Peraí cara, vou atender o telefone.
Kleber ficou olhando pra chinchila, mas ele já estava desistindo da ideia de levá-la para casa; era mais fácil ele adotar um hipopótamo do que ter que ficar a chinchila manca que era cheia de nove horas.
É aí que ele se engana.
Quando Lincon voltou, Kleber estava amassando, beijando, agarrando e enchendo de mimos a chinchila. Ele havia criado apelidos desde pokémon do papai, à nomes como Caramela.
- Ah, vejo que vocês dois se deram bem.
- Pois é cara, até apelidei ela de Caramela, ela olha feliz pra mim, quando chamo ela assim.
- Que beleza, agora é só alegria então - Lincon deu uma risada suave. - Quer ficar pra jantar?
Quem gostou da ideia foi a Caramela.
Por pouco tempo.

Antes de o Kleber ir embora, ele precisava colocar a Caramela dentro da gaiolinha, junto dos zilhões de objetos que ela precisava, e aí sim, ir pra casa. Mas ela não conseguiu entrar na gaiolinha. A barriga dela estava muito inchada e ela estava com uma expressão muito cansada. Lincon achou melhor deixar a Caramela com ele, e no outro dia Kleber iria buscá-la, afinal, ela estava com a expressão cansada, ela só precisava dormir, não é mesmo? Não é mesmo?

6h00 da manhã. Uma casa. Uma chinchila. Uma espera. Uma surpresa.
- Lincon, abre a porta, já cheguei. - Kleber já chegou gritando de tão ansioso que estava pra levar Caramela pra casa. Ele havia chegado a sonhar com a chinchila. Ele havia adquirido, em apenas um dia, um carinho especial pela bichinha.
- E aí, Kleber. - a expressão de Lincon não era animadora.
- E aí, cadê a Caramela, ela descansou bem e... - a gaiola estava vazia.
- Lincon! Porra, tu deixou a Caramela fugir? Cadê ela?
- Kleber, calma...
- Então fala bicho, tais me deixando irritado com essa demora! Cadê ela?
- Acho que ela já estava muito velhinha e...
- E.. o quê?
- ... e ela não aguentou, ela não acordou mais hoje...
Eu sei. Às vezes me arrasa o jeito como se parte um coração.


Kleber e Lincon estavam recostados no parapeito da janela do quarto do Lincon. A vizinha deles, Ana, passou e, sem querer, começou a ouvir a conversa (triste) deles. E ela se intrometeu.
- Vocês sabiam que existe um céu pra cada tipo de animalzinho?
Sem saber o que dizer, eles apenas afirmaram com a cabeça.
- Uma vez eu tinha um peixinho, que também morreu, o meu pai disse que ele tinha ido pro céu dos peixinhos. Legal, né?
- É - eles disseram, em uníssono.
- Eu acho que ela está feliz, agora. Acho que ela está se divertindo muito, lá em cima.
- É - novamente eles repetiram, no mesmo tempo.
- Pois é, e vocês podem ter certeza que, com o cair da noite, vem a certeza de que a pequena Caramela está num lugar melhor, ela não está triste, vocês sabem disso. E sabem por quê? Porque em seus sonhos, ela brinca entre as estrelas.

terça-feira, 16 de março de 2010

Quantas vezes você...

estava com alguém e sua cabeça não estava ali? E quantas vezes no momento em que não pôde sentir esta pessoa em seus braços, sentiu sua falta? Você já parou pra pensar no que machuca mais: fazer algo e desejar que não tivesse feito, ou não fazer e desejar que tivesse? Você já teve medo de começar um relacionamento? Medo de não ser a hora ou a pessoa certa? Seu coração não escolhe quem amar, e faz por conta própria, quando você menos espera, ou mesmo quando você não quer. Quantas vezes você deixou passar momentos importantes que não voltam mais? Quantas vezes você quis esquecer uma história ou alguém, que permaneceu na sua cabeça por um tempo longo? Você já se sentiu sozinho mesmo cercado de um monte de pessoas? Ou já beijou alguém que fez a multidão sumir? Você já passou um dia sentindo muitas saudades do que viveu? Você já viveu uma situação tão boa e feliz que até deu medo de tudo ser muito passageiro? Alguma vez você passou por cima do seu orgulho pra correr atrás do que queria? Inventou apelidos carinhosos para algumas pessoas e só chama elas por eles? Você já viu a força que tem, quando apostou todas as suas fichas em algo que acreditava e perdeu? Quantas vezes uma pessoa a quem você não dava nada, foi o primeira a te ajudar? E quantas vezes aquela que você mais esperava gratidão, te deu às costas e te decepcionou sem você nunca saber o porque? Você já se achou bobo, ridículo, por insistir em algo que não valia a pena? Teve algum dia que você acabou ficando com alguém apenas pra não ficar sozinho? Você já passou por um dia em que tudo deu errado, mas no final aconteceu algo maravilhoso? E também já aconteceu algo em que tudo deu certo, exceto pelo final que estragou o que parecia perfeito? Você já chorou porque lembrou de alguém que amava e não pode viver intensamente isso com essa pessoa? Você já reencontrou um grande amor do passado e viu que ele mudou e que tudo também faz outro sentido pra você? Para essas perguntas existem muitas respostas. Mas o importante sobre elas não é a resposta em si, e sim o que sentimos em cada uma dessas situações. O sentimento e as lembranças que ficam de cada história. Todos nós erramos, julgamos mal, somos bons e somos cruéis, amamos, sofremos, tivemos momentos alegres e outros às vezes tão tristes. E todos um dia não tiveram coragem e hoje se arrependem, ou não. Todos já fizeram uma coisa quando o coração mandava fazer outra. Então qual a moral disso tudo? Vá à luta! Antes que seja tarde! Bola pra frente! Não continue pensando nas suas fraquezas e erros. Daqui por diante, faça um acordo consigo mesmo e lute! Não abaixe a cabeça! Faça tudo que puder pra ser feliz hoje. Releve. Esqueça. Não deite com mágoas no coração. Não durma sem fazer ao menos uma pessoa feliz. E comece com você!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Relato de uma (ex) atleta

- Eu quero esse tempo reduzido dona Ana. Você tem chances de, no mínimo, um terceiro lugar.
Foram essas as últimas palavras que eu ouvi, antes de ir para o balizamento, esperar a minha prova. Talvez um dia eu extraia todos os relatos desse diário de atleta para contar essa minha história para as pessoas compreenderem que, não basta só se ter amor pelo esporte ou por qualquer coisa que você se faz. Nada cai do céu. E como o meu próprio técnico diz "Se natação fosse fácil, se chamaria futebol."
Enfim, voltando ao que importa, que foi a minha prova de 800m livre, o Kiko após dizer as palavras, me olhou de um jeito exigente, do tipo: É bom você pegar uma medalha e abaixar esse tempo, senão nem volta pro hotel...Brincadeira. Mas parecia bem isso mesmo. 800 metros era uma prova demorada. Mas eu não tinha o que reclamar. Fui eu quem pediu pro meu técnico me colocar nessa prova. Não sou fundista nem velocista, então nadar 'um pouco' mais não faria mal pra mim. A minha raia era a dois. Não gostei, odeio raia do canto porque a água bate na parede e volta pra mim, criando 'ondas' bem na hora que respiro. Mas tudo bem, encarei. Segundos antes da outra prova terminar, enquanto eu aguardava o término dela, passei o olho na arquibancada. Meu técnico assobiou, como forma de me encorajar e de não me assustar com o tamanho das outras atletas. Falando nelas, também passei o olho nelas e realmente me assustei. Eram todas enormes, fortes, que pareciam muito tranquilas ao saber que iriam nadar uma prova de 800 metros. Acho que quase todas ali eram fundistas. Uma menina da raia 5 olhou pra mim. Sorri pra ela como forma de que eu, era 'amiga' dela, que eu não tinha nada contra ela, mas que na hora em que caíssemos na água, era cada uma por si. Foi um erro. Ela me olhou de cima a baixo, deu uma risadinha, colocou o óculos no rosto, ajeitou a touca e virou a cara pra mm. Aquilo me deu um calafrio. Me arrependi de ter sorrido. Me alonguei mais um pouco, ajeitei os óculos e a touca. Estava pronta. Subi no bloco e me concentrei apenas no som do disparo. Caí na água. Minha saída foi esplêndida.
Toda vez que eu respirava e virava pro lado da arquibancada, conseguia enxergar o meu técnico e meus amigos, tanto da minha equipe quanto as outras equipes, amigos meus de outras cidades. Aquilo me dava mais segurança. E confiança.
Passaram-se 400 metros e eu ainda tinha pique pros outros 400 que ainda faltavam. Nessa metragem eu estava em segundo lugar. Senti um puta orgulho de mim mesma, mas ainda podia faltavam 400 metros. Até que... Dei uma braçada 'fora do tempo' e na hora da virada pros 450 metros, engoli um pouco de água. Tossi embaixo da água achando que era só um imprevisto, nada mais. Bem que eu queria. Na virada pros 550 metros, o lado esquerdo do meu óculos fica frouxo (acho que foi de tanto usar aquele óculos. ah, e de tanto jogar ele na piscina também, provavelmente) e a cada vez que respiro entra mais água dentro do óculos. Aquilo começa a me irritar e fico desesperada. Ainda estava em segundo lugar, mas a terceira colocada estava me alcançando. Nos 650 metros minha touca sobe um pouco e eu realmente começa a entrar em pânico. Por conta do nervosismo, aquilo foi me cansando fisicamente (até porque eu já havia nadado 600 e poucos metros) e mentalmente. Ficava repetindo sem parar: Calma Ana, você vai conseguir, você vai conseguir... Até que, nos 700 metros o lado direito do óculos entra água e, uma das minhas pernas trava. Aí não tive outra alternativa a não ser fazer um grito mental: FODEU, AGORA. Eu tentava enxergar, mas a única coisa que eu enxergava era a parede, nem as outras nadadoras eu não conseguia. Minhas pernas ardiam, meus braços ardiam, minha respiração começou a ficar pesada, o cloro já estava irritando demais os meus olhos, porque mesmo com os dois lados do óculos cheios de água, eu tentava enxergar algo. Último 25 metros, tentei resgatar alguma força de mim. Fiquei pensando que no final, todo aquele sofrimento, bem no final da minha prova, não tinha sido nada de mais, que eu ainda iria pegar alguma colocação e abaixar o meu tempo. Bati a mão na parede. Primeira coisa que fiz foi olhar pro placar de tempo. Eu havia aumentado dois segundos. Queria morrer! Aí eu me dei conta da colocação. Já tinha nadadora até saindo da piscina. Fiquei em quarto, por bastante diferença da outra menina. Não tive outra escolha a não ser desatar a chorar de tanta raiva de mim mesma. De tanto ter suado a camisa pelo trabalho difícil e dar tudo errado. Talvez no futuro, caso eu não seja mais atleta, eu consiga enxergar que esse é apenas uma das provas que eu vou ter que enfrentar na minha vida. E muitas vezes me desapontar, como meu próprio técnico disse. Mas nada, naquele momento, nenhuma palavra, nenhum gesto, poderia fazer a minha decepção cessar. Retomei o fôlego e saí da piscina tendo em mente que, mesmo que eu tinha perdido aquela medalha e aquele tempo, eu não tinha desistido. Tinha me esforçado até o último milésimo de segundo. E então, ergui a cabeça. Eu sabia que superaria aquilo.






Catarinense de Inverno, 2008
Extraído do meu diário de atleta.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Essência

Existem duas pessoas em mim. O que eu faço e o que eu sou. São pessoas diferentes que, aos olhos de muitos, são absolutamente iguais. No entanto, tamanha semelhança não justifica tanta confusão. Caixas cheias, contendo toneladas de decepções são empilhadas a cada vez que o que eu faço entra em conflito com o que eu sou. E não há como juntar as pessoas em uma. São almas feitas para serem somadas, não subtraídas. Se houvesse algum jeito de fazê-lo, os verbos ser e fazer seriam um só, com o mesmo significado. Não confundam.